Alfons Olivares Niqui
Este livrinho é o resultado de uma curiosidade antiga, repensada e reelaborada ao longo do tempo. Para nos situarmos, pensem nestas duas frases: Já fiz o trabalho e Tenho o trabalho feito. O significado final é o mesmo, o trabalho está feito, mas a progressão de ambas as ações permite nuances diferentes. Esta é a diferença entre as formas do pretérito perfeito e as perífrases resultativas. A nossa intenção é realizar um estudo comparativo das formas do pretérito perfeito composto e das perifrases resultativas, quando estas existem, nas línguas eslavas orientais do sul com as línguas românicas hispânicas. Poderíamos ter reduzido o âmbito do nosso estudo, no que diz respeito às línguas românicas hispânicas, às que todos consideram importantes, mas quisemos aproveitar esta ocasião tão propícia para dar visibilidade às outras línguas românicas vizinhas que têm sido sistematicamente menosprezadas, como o aragonês e o astur-leonês. Alargámos o nosso estudo ao sérvio porque é possível estabelecer um continuum de formas dialetais desde o Mar Negro até às regiões sérvias de Niš e Pirot, e faz parte do chamado Sprachbund balcânico na vertente eslava, juntamente com o búlgaro e o macedónio.