Lu Dragonian
'Eles estão aqui. Os outros. Estão a passear na nossa rua, com passos silenciosos que não tocam o chão.'Ninguém acredita no narrador quando ele afirma que a realidade começou a 'manchar'. O que começa como um café matinal rotineiro transforma-se num pesadelo vívido onde figuras impossíveis - os 'Estranhos' - deslizam pelas ruas com olhos que piscam em códigos de outro mundo.O horror escala quando ele é confrontado pelo Homem do Casaco de Névoa, uma silhueta de movimentos erráticos cujos olhos são vazios infinitos. Ao seu lado, o trio do abismo:Um ser que lê jornais de um mundo invertido;Um carniceiro do tempo que empurra um carrinho cheio de relógios derretidos;E a criatura de espelhos partidos que reflete tudo, menos a si mesma.Atraído para um café cujas paredes pulsam como carne húmida, o narrador descobre que não está a ser caçado por alienígenas, mas por manifestações físicas das suas próprias falhas e traumas. O TDAH não é um transtorno, é a corrente que o prende; a tristeza não é um sentimento, é a sua verdadeira face.Neste labirinto onde o tempo é 'assassinado' e o céu é suturado com linhas negras, a única saída é aceitar a infestação. Ele agora carrega um caderno de capa branca, não para escrever uma história, mas para catalogar a sua própria destruição.Aviso: Se sentires um hálito frio nas costas ou vires algo no reflexo que não deveria estar lá... não pares para olhar. Corre.